Falam de avanço, mas como avançarmos em uma sociedade em que a mulher é inferiorizada e, muitas vezes, concordando com tais restrições achando-as normais.
A Lei Maria da Penha, que chegou como uma medida de amenizar agressões físicas e psicológicas, completou, em agosto, quatro anos e dois por cento dos agressores condenados, segundo balanço do Conselho Nacional de Justiça.
Uma lei, a qual deveria servir para a proteção e a segurança da mulher, acaba por nos mostrar a fragilidade e, porque não, a incapacidade da justiça brasileira para botar em pratica o que nos asseguram a lei. Este descaso da justiça depois de complicadas trajetórias que não só a Maria da Penha percorreu, minimizam e distorcem nossas conquistas.
O que mais vimos em reportagens sobre o aniversário da lei não foram seu reconhecimento pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a mulher (Unifem) ou seus vergonhosos dados de eficiência e implementação -os meios midiáticos fazem questão de frisar as discussões e as supostas irregularidades da mesma.
O estudo organizado pelo Instituto Zangari mostra-nos que dez mulheres são mortas por dia no Brasil – 4,5 a cada 100 mil habitantes, se for comparar com a média em países europeus, por exemplo, o número não ultrapassa 0,5 a cada 100 mil habitantes. Como se sentir segura em um país no qual a cada quinze segundos uma mulher é agredida?
Esta é uma realidade que precisa ser exposta para ser contestada e por fim modificada.
A luta agora é por uma aplicação consistente, precisamos de mais delegacias da mulher e que estas estejam preparadas, com pessoal qualificado para receber um atendimento em que a mulher se sinta acolhida. A criação de abrigos também é fundamental para um suporte eficiente e seguro, e, principalmente, a informação para combatermos brutalidades e desigualdades que estão incrustadas pela nossa cultura patriarcal e cristã.